Luís Montenegro considera Corredor do Lobito um projecto logístico com impacto extraordinário26.07.2024
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O Primeiro-Ministro de Portugal, Luís Montenegro, considerou, quinta-feira, em Benguela, o Corredor do Lobito um projecto logístico fundamental e com um impacto “absolutamente extraordinário” na economia da região.
O reconhecimento foi expresso no fim da visita que efectuou à província de Benguela, onde, a par do Porto do Lobito, foi conduzido a conhecer projectos estruturantes ligados ao Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) e as obras de construção das novas instalações do Consulado Geral de Portugal naquela província, avaliadas em mais de dois milhões de euros.
A nova sede do Consulado-Geral de Portugal em Benguela ficará situada na rua Comandante Cassange, junto à Administração Municipal Local. Os trabalhos iniciaram em Maio de 2024 e têm prazo de conclusão previsto para Julho de 2025.
O chefe do Governo português, que cumpriu uma agenda de 72 horas, regressou ontem ao seu país, depois de ter sido recebido na Cidade Alta pelo Presidente da República, João Lourenço, para se despedir.
Em Benguela, o Primeiro-Ministro destacou que a plataforma logística financiada pelos Estados Unidos da América (EUA) e União Europeia (UE), integrada pelo Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) e o Porto do Lobito, é uma operação "enorme”.
Ao visitar o Porto Mineiro, Luís Montenegro, que se fazia acompanhar do governador provincial de Benguela, Luís Nunes, e do ministro das Relações Exteriores, Téte António, fez-se à locomotiva e deu o apito de partida.
Segundo Luís Montenegro, o CFB é uma grande concepção de transporte ferroviário, que tem uma empresa âncora, que é a portuguesa Mota-Engil, que tem, segundo o Primeiro-Ministro, uma multiplicidade enorme de investimento em Angola.
O Primeiro –Ministro português enalteceu a estratégia do Presidente João Lourenço, ao propor uma das regiões do país, no caso Benguela, para projectar o futuro de Angola.
Disse, por outro lado, que com a visita a Benguela deu para avaliar e ter uma percepção das capacidades das empresas portuguesas e de que forma podem contribuir neste ambicioso projecto (caminho) de desenvolvimento económico e social da região.
"Era precisamente a província de Benguela e esta ligação Benguela– Lobito (o Corredor do Lobito) é um projecto logístico fundamental nesta região e tem um impacto absolutamente extraordinário”, destacou Luís Montenegro.
"Este gigante comporta também, na sua própria história, a participação portuguesa. Portanto, é uma forma de nós e numa outra fase da vida dos nossos povos e países podermos estar juntos, como temos estado a sublinhar e colaborar para que as nossas economias sejam mais produtivas e gerem mais empregos”, disse.
Luís Montenegro reafirmou que Portugal tem uma economia forte e uma vocação exportadora. "Portanto, pretendemos uma economia onde as empresas possam prestar os seus serviços e o seu contributo, seja na área produtiva, seja de serviços e de concepção, como é o caso do Corredor do Lobito, promovendo o desenvolvimento simultâneo ao país de origem (Portugal) e também aos países de destino, no caso concreto, Angola”’, enfatizou.
O Primeiro-Ministro reconheceu que a plataforma logística vai gerar mais economia, mais oportunidades de emprego e explorar outras potencialidades.
Do ponto de vista logístico, assinalou Montenegro, as acções não se esgotam apenas na operação que parte do Porto do Lobito. Vai dinamizar à posteriori outras regiões do país e, desta forma, criar muitos empregos, oportunidades aos recursos humanos, que em primeira linha são os angolanos e de tantas outras nacionalidades, incluindo portugueses.
Mais de 110 mil portugueses residem no país
Na ocasião, Luís Montenegro disse que Portugal conta com uma população de mais de 110 mil compatriotas a trabalhar em Angola.
Disse que a visita, que efectuou até ontem ao país, de modo geral, e a Benguela, em particular, serviu para criar muitas oportunidades que podem ser partilhadas pelos dois países, povos e os dois Governos, num aprofundamento das relações aos mais variados níveis, desde culturais, formativo, partilha de conhecimento e de acções e intervenções nos palcos internacionais e na economia, o que considerou imprescindível para o bem-estar dos respectivos cidadãos.
Luís Montenegro reconhece que o aprofundamento das relações entre as partes ainda tem muito por explorar e muitos anos de afirmação. Garantiu que o Governo português está empenhado em aproveitar todas as oportunidades para colaborar e cooperar com as autoridades angolanas.
O Primeiro-Ministro português, Luís Montenegro, reafirmou a disponibilidade de uma linha de financiamento de apoio às empresas portuguesas no valor de 3.600 milhões de euros, no âmbito da União Europeia (UE), dos quais 2.500 milhões estão direccionados à internacionalização de pequenas e médias empresas e 711 milhões de euros voltados à aposta na inovação, investigação, na ciência e no conhecimento. "É também uma forma de fomentarmos a internacionalização das nossas empresas”, sublinhou.
Luís Montenegro acentuou que as relações mutuamente vantajosas e privilegiadas com Angola proporcionam enormes benefícios para os cidadãos dos dois países.
"Estamos aqui para ganharmos ambos com a nossa cooperação”, disse, acrescentando que a intervenção é abrangente em várias operações de financiamento e de beneficio fiscal ao investimento.
Central Fotovoltaica do Biópio
Ao referir-se à central Fotovoltaica do Biópio, o Primeiro Ministro-português disse tratar-se de uma obra de alta magnitude que teve na sua construção a participação de uma empresa do seu país e que, agora, está a multiplicar-se noutras regiões do país.
Segundo Montenegro, é uma ideia da capacidade que as empresas portuguesas têm de se internacionalizarem e de colocarem em prática o seu conhecimento ao serviço de outras geografias, criando condições para se desenvolverem, mas, sobretudo, contribuindo para o aprofundamento da qualidade e do desenvolvimento económico e social dos países para os quais estão a trabalhar, no caso, Angola.
"Se nós perdermos o comboio da competitividade, nomeadamente fiscal, nós estamos a condenar o país a ter menos investimento e tendo menos investimento, cria menos riqueza. É mais pobre e terá mais dificuldades em fixar os seus próprios quadros, nomeadamente os seus jovens quadros”, concluiu.